Terapia da REGRESSÃO

De volta ao passado, sem sair do lugar
A regressão ajuda a resolver traumas antigos que interferem em atitudes do presente. De qualquer forma, há controvérsias

Foto: Sxc.hu

Voltar no tempo e saber exatamente o que aconteceu na infância ou até em outras vidas. A regressão é uma técnica que possibilita trazer de volta algumas lembranças para o tratamento de problemas do presente. No entanto, é preciso tomar cuidado com conceitos pré-estabelecidos que se tenha sobre o assunto. O teólogo e presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas – CACP, João Flávio Martinez, explica que a regressão a vidas passadas tem como pressuposto a reencarnação, que é base de religiões orientais como Hinduísmo, Budismo e Jainismo. Os indianos, por exemplo, acreditam que o espírito reencarne 840 mil vezes.

De qualquer forma, não é apenas para outras vidas que a regressão leva. A psicoterapeuta progressiva Maura de Albanesi conta que o procedimento traz benefícios, incluindo desbloqueios emocionais, o que acarreta clareza em relação a si mesmo e a situações difíceis e aparentemente inexplicáveis. A aposentada Elaine Fiali, 50 anos, já realizou o procedimento três vezes. Na primeira, uma vidente contava ano a ano de sua vida; na segunda, foram aplicadas técnicas de Reiki e cromoterapia; por último, a meditação a fez voltar no tempo. Os procedimentos me tiraram muitas dúvidas. Eles me ajudaram a entender melhor minha relação com algumas pessoas e a resolver problemas como medo de altura e ansiedade , diz.

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O tratamento pode ser conduzido através de métodos diferentes que englobam desde um leve relaxamento até comandos hipnóticos. Esses processos não fazem com que a pessoa perca sua consciência. Ao contrário, o estado consciente é fundamental para a terapia. A hipnose é leve, a ponto da pessoa, às vezes, pensar que inventou a história , conta Maura.

Quando traz à tona as situações traumáticas do passado, a regressão possibilita que o paciente reavalie dados da sua personalidade, facilitando o autoconhecimento seguido do desenvolvimento pessoal. Quando uma pessoa sofre um trauma na vida, pode ficar presa ao evento, mesmo que não se lembre dele de forma consciente, fazendo com interfira em situações presentes.

A especialista explica que uma mulher que não consegue manter uma intimidade sexual com o esposo apesar de amá-lo, por exemplo, ao voltar no passado pode descobrir que foi vítima de uma violência sexual. Depois de seguir os passos do procedimento, a paciente poderá neutralizar a emoção negativa que a impedia e tomar novas decisões frente à situação, já que vive hoje um momento diferente e não precisa se prender ao passado.

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De acordo com Maura, não há riscos na terapia, uma vez que o ser humano possui uma sabedoria inconsciente. Essa inteligência permitirá retroceder apenas situações que a pessoa está pronta para resolver. As contra-indicações ficam para quem possui algum tipo de psicopatologia. Pode aplicar o procedimento o psicólogo que saiba manusear as técnicas necessárias e tenha feito cursos de especialização em Terapia de Vivências Passadas – TVP.

Há uma regressão chamada Vívida, onde o indivíduo vivencia com intensidade seu ´personagem´ do passado, podendo mudar o tom de voz, postura física, ter reações motoras e apresentar marcas físicas durante a vivência. Esse tipo ocorre em torno de 5% da população que faz regressão. Outro tipo é a Regressão Pictórica, quando a pessoa lembra e revive experiências assistindo cenas como se fossem um filme. Em quase 60% dos casos acontece a Regressão Mista, onde o indivíduo tem uma lembrança com imagens fragmentadas, sem perder o sentido da história e do desenvolvimento dos fatos. Por último, há o Intuitivo. Pessoas com dificuldades em usar o canal visual ou muito resistentes ao processo podem acessar os conteúdos de forma intuitiva, sem muitas imagens e sensações, compondo a lembrança com fortes impressões que vão se formando com a ajuda do terapeuta , explica o especialista em terapia regressiva Milton Menezes.

Como se faz?

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Para realizar a regressão, é preciso primeiro identificar o foco, ou seja, aquilo que realmente incomoda a pessoa nos tempos atuais. Quando a questão é localizada, são introduzidos os comandos hipnóticos, como voltar para a primeira vez em que a pessoa sentiu aquilo que a aborrece. Logo após, o profissional irá acompanhar o paciente por dentro da história a ser desvendada, levando ao momento emocional que originou o trauma. Dessa forma, é induzida a catarse emocional, uma purificação por meio da descarga emocional, libertando a pessoa de decisões antigas e possibilitando novas atitudes.

Caso a regressão seja para vidas passadas, em seguida a pessoa é levada ao momento da morte, para que ela possa se desprender da antiga encarnação, compreendendo as lições que a alma deve ter aprendido. Depois vem o pós-morte, momento de ampliação da consciência, onde o paciente pode perdoar o agressor, caso haja um, e se reconciliar, superando assim o trauma. Por último, ele é trazido ao momento atual, para relacionar os antigos acontecimentos com a vida presente.

Quando a pessoa está dentro do processo, a mente e o inconsciente são atemporais. Apenas uma parte da mente é acionada, para conectar os fatos com os sintomas atuais. A sessão varia de 50 minutos a uma hora e meia e custa cerca de R$200,00 a R$300,00, de acordo com o local de aplicação e tempo.


De volta ao útero

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O feto registra tudo o que ocorre com a mãe, mas não possui um ego (soma de pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções) estruturado.

Dessa forma, na fase adulta, a pessoa poderá ter comportamentos e sensações que não fazem parte da própria personalidade. O objetivo da regressão para dentro do útero é separar o que é e o que não é da pessoa.

Levando em consideração que trauma é um bloqueio emocional que impede a fluidez da energia da pessoa, o parto é o primeiro trauma vivido por todos.

Por outro lado

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Martinez explica que há processos ocultos da mente denominados confabulação e criptamnésia. No primeiro, a pessoa se baseia parcialmente em fatos ou chega a construir totalmente uma situação imaginária, inconscientemente. O segundo é um termo usado para denominar a origem de experiências que as pessoas acreditam ser originais, mas que se baseiam em memórias já esquecidas.

O especialista diz que tudo leva a crer que a maioria das regressões a vidas passadas são confabulações alimentadas pela criptaminésia. Infelizmente, não existe uma única investigação científica que tenha validado, sem deixar dúvida, relatos de regressão a vidas passadas. Os melhores trabalhos na área são de Ian Stevenson, um parapsicólogo que investigou casos de crianças asiáticas que pareciam recordar detalhes da última encarnação. Porém, mesmo os estudos de Stevenson, ao passarem por análise, revelam inconsistências internas que os colocam em dúvida , finaliza.


História da regressão

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A regressão a vidas passadas foi descoberta em 1893, em Paris, por Albert de Rochas. Ele fazia experimentos com magnetismo e hipnose. O livro do autor, Les Vies Successives, publicado em 1911, é o primeiro sobre o assunto.

No ano de 1952, uma mulher chamada Virginia Tighe foi hipnotizada e começou a falar com sotaque irlandês, afirmando chamar-se Bridey Murphy, uma moça irlandesa do século XIX. O livro do especialista que a hipnotizava, Bernstein, chamava-se The Search for Bridey Murphy e virou um best-seller traduzido para muitas línguas.

Nada de concreto se encontrou sobre a irlandesa, mas a equipe do jornal Chicago American encontrou uma Bridie Murphey Corkell que viveu no século XX, numa casa em frente à residência onde Viginia Tighe passou a infância. Os fatos relatados não eram memórias de uma vida anterior, mas sim lembranças da infância.

*Por João Flávio Martinez

Colaboraram:
João Flávio Martinez
Milton Menezes
Maura de Albanesi
Clínica de Psicoterapia Progressiva – (11) 3884-3125

fonte:site Yahoo

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